domingo, 9 de novembro de 2008

Homem sem Barba

Esta manhã, tomei meu costumeiro banho e logo depois me dirigi ao espelho para fazer minha barba... Não que o ato em si tenha alguma importância para o mundo a ponto de escrever sobre isso no blogue. O fato é que ao empunhar a lâmina algo me ocorreu, como uma espécie de iluminação digna de Rosseau.
A luz refletida na lâmina e depois no espelho me levou a tempos e lugares onde a barba é sinal de prestígio social e até de poder. Em Atenas, na antiguidade, um homem só era considerado cidadão capaz e maior depois de desenvolver barba - nesse caso eu seria uma eterna criança lá. E a barba sempre foi um símobolo de força e respeito entre os orientais, principalmente os muçulmanos.
Até pouco tempo atrás, exigia-se no Afeganistão que um homem devesse ter a barba do tamanho de seu punho sob pena de severos castigos e quem sabe até morte. Certamente o Afeganistão seria um lugar terrível para imberbes como eu...
Então, desta viagem fui catapultado de volta ao presente e meu banheiro. Fiquei só, eu com minha barba. E pensei: se a barba tem toda essa simbologia, não seria melhor que ela fosse eliminada de uma vez das mal escanhoadas faces dos homens? Pois assim ninguém mais poderia jurar coisa alguma sobre o fio de seu bigode ou elevar a barba à categoria de escudo de sua honra masculina. Não haveria como pôr as barbas de molho, acabando assim com um dos mais conhecidos chavões de dissimulação e esperteza que existem.
Em suma, o mundo seria um lugar melhor, e mais limpo, para se viver. Com menos lâminas e menos sangue a escorrer por elas para ser limpo com uma toalha ou papel higiênico.No alto de minhas divagações pensei numa espécie de paraíso terrestre, onde muldidões sem pêlos se abraçavam e passeavam em campos de antigas lâminas enferrujadas. Francamente, se já usamos roupas há tantos milênios e ainda possuímos vestígios de pelagem, é sinal de que não somos tão evoluídos quanto se presume.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Alguma semelhança é mera coincidência

A galinha vermelha achou alguns grãos de trigo e disse a seus vizinhos:
- Se plantarmos trigo, teremos pão para comer. Alguém quer me ajudar a
plantá-lo?
- Eu não. - Disse a vaca.
- Nem eu. - Emendou o pato.
- Eu também não. - Falou o porco.
-Eu muito menos. - Completou o ganso.
- Então eu mesma planto. - Disse a galinha vermelha.
E assim o fez. O trigo cresceu alto e amadureceu em grãos dourados.
- Quem vai me ajudar a colher o trigo? - Quis saber a galinha.
- Eu não. - Disse o pato.
- Não faz parte de minhas funções. - Disse o porco.
- Não depois de tantos anos de serviço. - Exclamou a vaca.
- Eu me arriscaria a perder o seguro-desemprego. - Disse o ganso.
- Então eu mesma colho. - Falou a galinha, e colheu o trigo ela mesma.
Finalmente, chegou a hora de preparar o pão.
- Quem vai me ajudar a assar o pão? - Indagou a galinha vermelha.
-Só se me pagarem hora extra. - Falou a vaca.
-Eu não posso por em risco meu auxílio-doença. - Emendou o pato.
- Eu fugi da escola e nunca aprendi a fazer pão. - Disse o porco.
-Caso só eu ajude, é discriminação. - Resmungou o ganso.
-Então eu mesma faço. - Exclamou a pequena galinha vermelha.
Ela assou cinco pães, e pôs todos numa cesta para que os vizinhos pudessem ver.
De repente, todo mundo queria pão, e exigiu um pedaço. Mas a galinha simplesmente disse:
-Não, eu vou comer os cinco pães sozinha.
- Lucros excessivos! - Gritou a vaca.
-Sanguessuga capitalista! - Exclamou o pato.
- Eu exijo direitos iguais! - Bradou o ganso.
O porco, esse só grunhiu.
Eles pintaram faixas e cartazes dizendo 'Injustiça' e marcharam em protesto contra a galinha, gritando obscenidades.
Quando um agente do governo chegou, disse à galinhazinha vermelha:
- Você não pode ser assim egoísta.
- Mas eu ganhei esse pão com meu próprio suor. Defendeu-se a galinha.
-Exatamente. Disse o funcionário do governo. Essa é a beleza da livre Empresa. Qualquer um aqui na fazenda pode ganhar o quanto quiser, mas sob nossas modernas regulamentações governamentais, os trabalhadores mais produtivos têm que dividir o produto de seu trabalho com os que não fazem nada.
E todos viveram felizes para sempre, inclusive a pequena galinha vermelha,que sorriu e cacarejou:
- Eu estou grata, eu estou grata.
Mas os vizinhos sempre perguntavam por que a galinha, desde então, nunca mais fez coisa nenhuma.. Nem mesmo um pão.

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Esta 'fábula' deveria ser distribuída e estudada em todas as escolas brasileiras.
Quem sabe, assim, em uma ou duas gerações, sua mensagem central pudesse tomar o lugar de toda essa papagaiada pseudo-socialista, que insiste em assombrar nosso país e condená-lo à eterna miséria.
Em tempo... Qualquer semelhança desses bichos com alguns abaixo é mera coincidência:
'Sem Terra',
'Sem Teto',
'Sem Bolsa Escola',
'Puxa-sacos',
'Sem Vergonha'...
'Sem porra nenhuma'...
E outros bichos mais.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A Galinha do Vizinho

Brasileiro tem o hábito de achar que tudo que vem de fora,do chamado "estrangeiro" é melhor do que o que procede do Brasil.Assim,o "Made In" por si só já se valoriza e se mantém no pódio das preferências nacionais.Ligado a esse hábito ,achamos que americano,francês,alemão etc são povos mais educados,mais respeitadores das leis do que nós,pobres latinos ,de um país de gente pobre e mal educada!!Será?Isso é real ou é folclore?Não me permito dizer que todo brasileiro respeita a natureza,as leis de trânsito e não fura fila.Não!Existem e nós sabemos disso.Mas,não pensem que nos países de "primeiro mundo" tudo ocorre certinho,que ninguém rouba,mata,maltrata os animais e agride a natureza.
Tenho uma amiga que foi tentar a vida nos EUA e fez um monte por lá:foi babá,garçonete,vendedora de loja e faxineira de cinema.E ,ela tem muitas histórias interessantes que desmentem essa superioridade de que americano é bem educado.Ela conta,por exemplo,que quando fazia faxina em cinema pôde comprovar a imbecilidade daquele povo.Quando terminava as sessões, minha amiga incorporava "A Diarista" e entrava com seus apetrechos de limpeza. E,segundo ela,parecia que estava entrando numa praça de guerra.Era o cáos.Havia pipoca por todo o canto,papel de bala espalhados,copos pelo chão , chocolate pisado e chiclete nas poltronas.Ela descreve a cena de uma forma que dá vontade de rir.Coitada!Durou pouco por lá.Hoje ela está no Brasil e que Deus a ajude,está trabalhando em teatro e muito feliz.
Mas,escrevi sobre isso para chegar a uma conclusão:temos que ter pé no chão,quando falamos mal do Brasil e engrandecemos outros países.Só podemos falar daquilo que vivenciamos.
E,podem ter certeza,"nem sempre a galinha do vizinho é mais gorda do que a nossa."

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Uma Escritora Promissora

Sei que ando sumido,mas por uma boa causa.
A mãe da Mariana viajou e pediu-me para ficar com a menina.Assim,estou na lida de "pãe" há uns quinze dias .Que maravilha!Claro que minha ajudante ficou aqui em casa durante todo o tempo.E,minha mãe também não perdeu a oportunidade para vir "dizer-nos o que fazer"
Descobri um pouco sobre a rotina de minha filhota e confesso que fiquei com pena dela. Tem escola,tem "o dever de casa",tem natação,ballet(puxa,não sabia que a vida das meninas fossem tão difíceis).Vou conversar com a mãe sobre essa sobrecarga.Acho errado,sabia?Ela não tem tempo de ser criança!Vai ter chumbo grosso por aí,mas vou tentar mudar isso!
À noite ficamos lendo livrinhos de histórias antes dela dormir.Imagina , com seis anos incompletos, estava lendo um livro com uma estória sobre uns animais e uma festa. Reclamou-me que a estória não estava legal, que podia ser diferente, etc.. Eu disse que então, se ela quisesse, poderia escrever a própria estória dela. Minutos depois veio com o resultado. A tradução segue logo após.



Festa na Floresta:Um dia na floresta, o macaco, o tucano, a tartaruga, o veado, a onça pintada, a pantera e os pássaros foram visitar a tataravó e voltaram perdidos.E voltaram para a casa do tataravô*. (*A autora explicou que eles mudaram a rota na volta)Estava escurecendo e não tinha nada pra comer. De dia encontrariam a sua casa.Agora acabou a estória. Agora fim.


Pois é,ela tem a quem puxar!Não me canso de querer mudar a realidade!rs

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Come e Cala a Boca

Muita gente diz que "não gosta de política". Sempre achei isso um absurdo, afinal a política está muito mais embutida em nossas vidas do que imagina nossa vã filosofia. Para viver num prédio de apartamentos com nossos vizinhos, exercemos a política. Para lidar com nossos colegas de trabalho, lá está a malfadada política. Ela está presente em tudo. Ou quase tudo.
A política nos faz rir. Algumas pessoas acham engraçado eleger um bando de zés-ninguéns cujos programas políticos restringiam-se a bordões, musiquinhas, apelos populistas, gírias, palhaçadas, piadinhas e tolices, mas na hora em que a coisa aperta – um morro desaba, a rua enche, o esgoto transborda, o ônibus não roda – essas mesmas pessoas são as primeiras a reclamar. "Todo político é igual", dizem, de preferência, perante as câmeras de TV. Muitas pessoas acham legal o barraco entre dois candidatos nos debates, como se fosse um show à parte. Tudo na política é motivo de piada, afinal até dólares ficam engraçados quando recheiam uma cueca
O Brasil possui dezenas de partidos – ó, a democracia! – mas não somos capazes de determinar a diferença entre eles. O partido que lutou toda sua vida contra os privilégios, a desigualdade social e a corrupção – e que, confesso, tinha minha simpatia há tempos atrás – é exemplo de sujeira e conversa pra boi dormir. Seus militantes são tão cegos e surdos quanto os "beneficiados" pelo governo, aqueles pobres-coitados com seus míseros reais por mês, sujeitos a um verdadeiro "Come-e-cala-a-boca". Eles ainda acreditam em um "líder" que virou Papai Noel (afinal, diante da crise financeira, teremos todos um Natal magnífico em 2008). Proprietários de contas em paraísos fiscais e políticos de obras faraônicas sem um pingo de utilidade ainda são capazes de ganhar milhares de votos. Anos e anos de incompetência, orquestrada por carinhas fantasiados de azul, amarelo, vermelho, verde, branco, preto, roxo... que na verdade são parte da mesma panela. Não há um exemplo a seguir, uma escolha correta, um caminho sadio. Os que ainda têm um resquício de consciência votam no candidato "menos pior".
Mas tudo está perfeito. Como sempre.
Pensando bem... eu não gosto da política...





Quero oferecer o selo Post Show de Bola,doado pelo Amigão, aos amigos abaixo:

Exagerado-Blog do Bruno, com textos cheios de humor e que não deixa dúvida da grande criatividade e inteligência do carioca,que já conseguiu um enorme fã clube de belas meninas.Parabéns!


Quase Trinta- Não sei o nome dela...Só sei que é repleto de posts cheios de emoção de alguém que ama e quer ser amada.Cada texto é um relato poético do que lhe vai na alma.Menina romântica e inteligente.Parabéns!

Depois de Segunda,É Terça-Blog da Paulinha com posts inteligentes e bastantes racionais,providos de crítica,muitas vezes humoradas.Parabéns!


Di Profundis Nadis-Blog da Lilian com posts muito ligados ao seu cotidiano,à sua vida ,ao seu filho Luca...Um dário com páginas incríveis!Parabéns!


Apenas Palavras-Blog da bela Vênus.Uma deusa muito bem-humorada ,que mistura posts do seu cotidiano , belas descrições da vida,e faz críticas do mundo atual.Parabéns!

Amigos ,peguem o selo ali embaixo no post anterior!Repassem se quiserem .Ou fiquem a vontade para guardá-lo apenas.



segunda-feira, 20 de outubro de 2008

É só comoção?então o que é?



Depois de dias sem postar um mísero texto, não quero aqui endossar a exploração e a falta de ética em cima do caso Eloá. Mas, diante de tamanha exposição, fica complicado para mim não comentar alguma coisa que tenha o mínimo de relação com o assunto. Vou ater-me então não à pergunta folhetinesca "Se a polícia não tivesse invadido o prédio ,Lindimberg teria poupado a moça?,mas à comoção popular que todo crime dessa natureza traz.
Algo que me chama muito a atenção é o comportamento da população em geral.Desde ontem ,ouvi muitos comentários sobre pessoas estarem à procura do prédio onde o fatídico crime ocorreu, para prestar "homenagem" e "solidariedade". Alguns inclusive levam cartazes e postam-se a fazer barulho – somente barulho, talvez sem compromisso algum com o "exigir justiça", quando a câmera de alguma TV ou alguma pessoa-chave no caso dão as caras.


As redes de TV , à cata de de aumentar sua audiência continuam com aquelas perguntinhas óbvias e bobas ao primeiro que aparece na rua de Santo André:"E aí,você está triste om o que aconteceu à Eloá?"Como se alguém fosse dizer:"Não..eu estou muito ALEEEGRE..alôou,mamãe..olha eu aqui na TV!"


E hoje à tarde no velório?Mais de 4000 (até às 17h)pessoas fizeram fila para passar diante do caixão e olhar o rosto da menina ,coisa de segundos.Muitos com celulares não se furtaram de tirar uma foto da urna funerária.O que faz o povo agir assim?Digno de um estudo psicológico do perfil dessa gente.Aplausos e canções populares.
Será que sou somente eu que vejo dessa forma?
Pelo menos fica a atitude dos pais que doaram os ógãos da menina para salvar outras vidas!
Agradeço ao AMIGÃO,do Blog Turma do Amigão ao selo Show de Bola com o qual me presenteou.Fico muito feliz e na melhor oportunidade eu repasso.Obrigado,amigão!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Jovens descolados!!Será?

Olá,minha gente!
Nossa,não sabia que um comentário ingênuo sobre a ministra Dilma fosse me render tantos comentários.Mas,agora chega ,pois esse papo não me agrada.Vamos falar de coisa séria.
Creio que todos estão acompanhando o sequestro da menina de 15 anos pelo ex-namorado. Inacreditável que jovens dessa atual geração "tão descolada" ,"tão moderna","tão....." não consigam lidar com a perda,com a rejeição e com o ciúme.Claro que nada mudou!Ainda somos os mesmos!Como os nossos Pais!
Será que nas coisas do coração não há fórmula certa ,seja qual for a geração?Claro!
Ninguém manda no nosso coração,mas na nossa cabeça mandamos nós. E é uma pena que isso continue acontecendo! Sempre penso a mesma coisa quando tomo conhecimento de casos assim: isso é baixa auto-estima,amor próprio...Sou a favor do amor sempre.Mas,sou a favor primeiramente do respeito ao direito do outro,de suas escolhas .E,principalmente sou a favor de antes de tudo do amor por nós mesmos.